23 de fevereiro de 2017

Chico Evangelista, pioneiro do reggae que morreu nesta terça, deixou CD inédito

Chico Evangelista, pioneiro do reggae que morreu nesta terça, deixou CD inédito
Enquanto Bob Marley (1945 – 1981) gravava com a banda jamaicana The Wailers em 1972 o álbum que no ano seguinte exportaria o reggae para o mundo, Catch a fire (1973), um cantor e compositor baiano, Chico Evangelista, já começava a fazer experiências sonoras com o ritmo jamaicano, como integrante da banda Arembepe. Formada por Evangelista em 1972 com Carlos Lima, Dinho Nascimento e Kiko Tupinambá, a atualmente cultuada Arembepe se reagrupou em 2016, com a formação original, e gravou na cidade de São Paulo (SP) um disco com músicas tocadas em shows na década de 1970, mas ainda inéditas em disco. O álbum, previsto para ser lançado no segundo semestre deste ano de 2017, ganha ar póstumo e ainda mais importância com a notícia da saída de cena de Evangelista, morto ontem, 21 de fevereiro, na cidade natal de Salvador (BA) vítima de complicações renais.
Um dos pioneiros do reggae, ritmo que conheceu ao ouvir discos de Bob Marley, Evangelista foi um dos visionários fundadores da Arembepe, banda baiana da qual saiu em 1978 (o grupo, que tocava um mix pop de reggae com ritmos baianos como o samba de roda, sobreviveu até 1982). Antes da saída de Evangelista, a banda gravou em 1974, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), compacto com as músicas Iaiá e Lá na esquina, parcerias de Evangelista com Carlos Lima. Nomes como João Donato se encantaram com a pegada da banda.

Prestígio à parte, foi a partir da saída da Arembepe que Evangelista alcançou maior projeção. Em 1979, defendeu o Reggae da independência (Chico Evangelista, Carlos Lima e Antônio Risério) em festival da TV Tupi e gravou a composição em compacto simples. Em 1980, Evangelista viveu o auge do sucesso com a defesa da música Rasta-pé, composta com o parceiro baiano Jorge Alfredo, no festival MPB-80. A exposição no festival promovido pela TV Globo em 1980 possibilitou a Evangelista e a Alfredo lançarem naquele ano um álbum, Bahia Jamaica, considerado precursor da música afro-pop-baiana rotulada como axé music. O título Bahia Jamaica já sugeria que os artistas cruzavam o oceano para mergulhar mais uma vez nas águas espalhadas por Marley ao redor do mundo.

Apesar do sucesso do disco, a carreira da dupla não teve a continuidade a que os cantores e compositores faziam jus pela sintonia e talento. Ambos foram sendo progressivamente esquecidos pelo público e pela mídia. Um documentário, idealizado pelo pesquisador Caio Beraldo e também previsto para ser lançado neste ano de 2017, vai ajudar a recontar a história de Chico Evangelista, finda ontem, mas eternizada em poucos e bons discos.

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